Sendo um especialista em assuntos gráficos, Dalmi Defanti aponta para uma diferença que pode passar despercebida na hora de avaliar uma peça: aparência moderna e qualidade de comunicação não são necessariamente a mesma coisa. Cores atuais, fontes em evidência e composições minimalistas podem deixar um material visualmente atraente, mas esses recursos não garantem que a mensagem seja clara, legível e adequada ao público.
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Quando seguir uma tendência pode ser um problema?
O design gráfico acompanha mudanças de comportamento, tecnologia e linguagem visual. Estilos que ganham espaço nas redes sociais também podem influenciar identidades visuais, embalagens, anúncios e materiais impressos. O problema aparece quando uma tendência é incorporada apenas porque está em alta, sem considerar se combina com a marca ou com a finalidade da peça. Uma escolha visual precisa fazer sentido para o público e para a mensagem, mesmo quando não segue exatamente aquilo que está sendo mais utilizado no momento.
Uma composição pode parecer contemporânea e, ao mesmo tempo, dificultar a leitura. Fontes muito decorativas, contrastes insuficientes, excesso de elementos ou informações excessivamente reduzidas podem comprometer a compreensão. Dalmi Defanti indica que o que funciona em uma determinada referência visual não necessariamente funciona em outro projeto. Antes de adotar qualquer recurso, é importante avaliar como ele interfere na leitura e se continua funcionando nos diferentes formatos em que a identidade será aplicada.
A novidade, portanto, não deveria ser o único critério de escolha. Um material gráfico precisa continuar cumprindo sua função depois que determinada tendência deixar de estar em evidência. É essa preocupação que diferencia uma atualização visual de uma simples tentativa de parecer atual. Uma identidade consistente consegue incorporar mudanças sem depender de modismos para manter sua relevância e reconhecimento.
O que realmente transmite qualidade em uma peça?
A qualidade começa pela relação entre diferentes elementos. Tipografia, cores, imagens, espaços, proporções e informações precisam formar uma composição coerente. Quando um desses componentes chama atenção de maneira desproporcional, o leitor pode perder justamente aquilo que deveria encontrar primeiro. Uma composição bem estruturada estabelece uma ordem visual que conduz o olhar sem exigir esforço para entender o que é mais importante.

Dalmi Defanti frisa que a legibilidade também tem papel fundamental. Um título precisa ser percebido, o texto deve ser confortável para leitura e informações práticas, como contatos ou endereços, precisam ser facilmente localizadas. Um design visualmente sofisticado que dificulta essas tarefas pode estar priorizando a aparência em detrimento da função. Quanto mais objetiva for a comunicação, maior deve ser o cuidado para que os recursos estéticos não criem obstáculos à compreensão da mensagem.
Uma peça bonita pode se comunicar mal?
Sim. Estética e comunicação caminham juntas, mas não são sinônimos. Um catálogo pode apresentar fotografias bem produzidas e uma composição elegante, porém esconder informações importantes entre blocos de texto. Da mesma maneira, uma embalagem pode ter uma aparência marcante e não deixar claro o que está sendo oferecido. Quando isso acontece, o material consegue despertar interesse, mas falha justamente no momento em que precisa orientar o público.
O primeiro olhar é importante, mas ele precisa conduzir o público para a informação seguinte. Hierarquia visual, contraste e organização ajudam a estabelecer esse caminho. Quando tudo recebe o mesmo destaque, nada se sobressai de maneira realmente eficiente. Uma boa composição permite que o leitor identifique rapidamente o assunto principal e avance pelas demais informações de forma natural.
Dalmi Defanti considera que esse equilíbrio precisa ser pensado também durante a produção. Na Gráfica Print, a relação entre projeto e impressão faz parte do processo, já que diferentes papéis, formatos e acabamentos podem modificar a percepção da criação original. Por isso, qualidade visual não deve ser analisada apenas no arquivo digital. A avaliação precisa considerar também como a peça será reproduzida e percebida quando chegar ao público.
