O Fundo Amazônia destinará R$ 147,6 milhões ao desenvolvimento do Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros, o SIM-Biomas. Com participação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o projeto pretende combinar bases de dados já utilizadas no país, ampliar o uso de inteligência artificial e antecipar riscos relacionados ao desmatamento, à degradação da vegetação e aos incêndios florestais.
O anúncio foi publicado em 20 de outubro de 2026, após a apresentação de novos dados sobre a Amazônia realizada em 16 de outubro. Segundo a Agência BNDES de Notícias, a iniciativa busca fortalecer a capacidade brasileira de acompanhar alterações ambientais em diferentes regiões e oferecer informações mais rápidas para a prevenção e a fiscalização.
Como funcionará o monitoramento integrado
O SIM-Biomas deverá reunir informações produzidas por sistemas de observação da vegetação natural e organizar indicadores capazes de apontar mudanças no território. A proposta é que o cruzamento de dados por meio de ferramentas de inteligência artificial ajude a identificar padrões e situações de risco com maior rapidez, apoiando a análise de áreas sob pressão ambiental.
Uma das frentes previstas é a expansão do sistema Deter para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa. Atualmente associado ao acompanhamento de alterações na cobertura vegetal, o sistema passará a integrar uma estratégia de monitoramento mais abrangente, que considera a diversidade dos biomas brasileiros e as diferentes formas de degradação que podem ocorrer em cada um deles.
A inteligência artificial, nesse contexto, não substitui as imagens de satélite nem o trabalho dos órgãos responsáveis pela fiscalização. Ela funciona como uma ferramenta para processar grandes volumes de informação, destacar alterações e contribuir para que equipes técnicas direcionem a atenção a locais onde os sinais de risco sejam mais relevantes.
Imagens de queimadas terão maior resolução
O projeto também prevê uma mudança na identificação de áreas queimadas. De acordo com o BNDES, o monitoramento deverá evoluir de imagens com resolução aproximada de um quilômetro para dados de até 30 metros em todos os biomas brasileiros.
Na prática, a ampliação da resolução pode permitir uma visualização mais detalhada dos focos e das áreas atingidas pelo fogo. Esse nível de informação tende a ser útil para diferenciar ocorrências, dimensionar impactos e apoiar respostas de prevenção e fiscalização. A medida não elimina a necessidade de confirmação e análise técnica, mas pode melhorar a qualidade dos dados disponíveis para essas etapas.
Dados recentes sobre a Amazônia
O anúncio do financiamento ocorreu durante a divulgação de dados do Inpe sobre o desmatamento na Amazônia. Conforme as informações apresentadas, a área desmatada entre agosto de 2025 e julho de 2026 foi de 3.335 quilômetros quadrados.
O resultado representa uma redução de 41,8% em comparação com o período anterior e corresponde à menor taxa da série histórica iniciada em 1988. O dado oferece um retrato específico do desmatamento na Amazônia, enquanto o SIM-Biomas tem alcance mais amplo e foi concebido para acompanhar a vegetação natural dos diferentes biomas do país.
O que muda para o acompanhamento ambiental
Ao reunir monitoramento por satélite, análise automatizada e financiamento público, o projeto amplia a infraestrutura científica disponível para observar o território brasileiro. A escala nacional é um dos principais elementos da iniciativa: além da Amazônia, o sistema deverá produzir informações para áreas da Caatinga, da Mata Atlântica e do Pampa, entre outros biomas incluídos na proposta.
Os dados poderão apoiar órgãos de fiscalização, governos estaduais e municipais, pesquisadores e instituições envolvidas na prevenção de incêndios e na proteção da vegetação. O benefício esperado está relacionado à velocidade e ao detalhamento das informações, dois fatores importantes quando a identificação de uma alteração pode orientar uma ação preventiva ou uma resposta mais rápida.
O financiamento do Fundo Amazônia coloca a inteligência artificial no centro de uma aplicação concreta de tecnologia ambiental no Brasil. Mais do que produzir alertas, o SIM-Biomas pretende estruturar indicadores e integrar sistemas para que as mudanças observadas no território sejam compreendidas dentro de um quadro nacional de riscos ambientais.
