O Brasil ampliou sua participação nas discussões internacionais sobre computação de alto desempenho e inteligência artificial durante a 10ª reunião do Grupo de Trabalho do BRICS dedicado aos dois temas. O encontro ocorreu nos dias 9 e 10 de setembro de 2026, em Goa, na Índia, e reuniu representantes dos países que integram o bloco para tratar de infraestrutura tecnológica, dados, computação quântica e cooperação científica.
O país foi representado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A participação brasileira foi divulgada pelo próprio LNCC em 5 de outubro. Segundo o Laboratório Nacional de Computação Científica, a agenda buscou aproximar iniciativas nacionais de projetos e estruturas compartilhadas entre os integrantes do BRICS.
Infraestrutura brasileira apresentada no encontro
Entre as iniciativas apresentadas pelos representantes brasileiros esteve o supercomputador Santos Dumont, instalado no LNCC. De acordo com o laboratório, a máquina possui capacidade de 21 PFLOPS e atende aproximadamente 500 projetos científicos e 5 mil usuários. A estrutura é utilizada como parte do esforço para oferecer a universidades e instituições de pesquisa acesso a recursos avançados de processamento.
Também foi apresentado o Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (SINAPAD), que integra a estratégia brasileira de ampliar a disponibilidade de recursos computacionais para a ciência. A infraestrutura é relevante para pesquisas que dependem de grande capacidade de processamento, análise de grandes volumes de dados e desenvolvimento de aplicações baseadas em inteligência artificial.
A presença do Santos Dumont e do SINAPAD na agenda do BRICS mostra que a computação de alto desempenho no Brasil não está restrita à aquisição de equipamentos. O tema envolve a criação de redes de pesquisa, o compartilhamento de capacidade computacional e a formação de condições para que diferentes instituições participem de projetos científicos de maior complexidade.
IA, dados e computação quântica
A reunião também abordou o armazenamento e o compartilhamento de dados, as redes federadas e a computação quântica. Esses temas estão relacionados à necessidade de conectar infraestruturas de pesquisa, organizar bases de dados e desenvolver novas formas de processamento para aplicações científicas e tecnológicas.
Na pauta brasileira, apareceram ainda o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), a arquitetura aberta RISC-V e projetos de “gêmeos digitais”. Esses sistemas reproduzem digitalmente processos ou estruturas do mundo real e podem ser empregados em estudos e simulações, embora a fonte não associe a reunião a uma aplicação específica já implementada no país.
A discussão sobre padrões abertos, como o RISC-V, também insere o Brasil em um debate estratégico sobre desenvolvimento tecnológico. Ao levar essas iniciativas para um fórum internacional, o país apresenta capacidades próprias e busca estabelecer conexões para futuras ações de pesquisa e inovação dentro do BRICS.
Cooperação científica entre instituições
O trabalho brasileiro envolve uma rede de instituições. Entre as organizações relacionadas à cooperação estão o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), o CEFET-RJ, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Universidade de São Paulo (USP).
A articulação entre entidades com perfis distintos permite combinar infraestrutura de processamento, redes de comunicação, pesquisa básica, aplicações espaciais e formação acadêmica. Para o Brasil, esse tipo de cooperação pode ampliar a participação de universidades e centros de pesquisa em projetos que exigem equipamentos, dados e conhecimento especializado compartilhados entre diferentes países.
O MCTI e o CNPq também divulgaram, em maio de 2026, uma chamada do BRICS com R$ 33 milhões destinados a projetos internacionais de pesquisa. A iniciativa reforça o ambiente institucional de colaboração científica em que se insere a discussão sobre computação de alto desempenho e inteligência artificial.
Infraestrutura como prioridade tecnológica
O MCTI mantém uma agenda voltada à transformação digital, à inteligência artificial e à cooperação científica, conforme o conteúdo institucional do ministério sobre o tema. Nesse contexto, a computação de alto desempenho funciona como uma infraestrutura transversal: pode apoiar pesquisas, simulações, treinamento de modelos de inteligência artificial e análise de dados produzidos por diferentes áreas do conhecimento.
A reunião em Goa não representa, por si só, a criação de um novo programa ou equipamento brasileiro. O principal resultado divulgado foi a apresentação das capacidades nacionais e a continuidade do diálogo entre os países do BRICS. A agenda, no entanto, coloca em evidência a busca por maior integração científica e tecnológica em um campo considerado essencial para a pesquisa contemporânea.
Com o Santos Dumont, o SINAPAD, o PBIA e a participação de instituições brasileiras em redes internacionais, o país procura fortalecer sua presença em projetos de computação avançada. O desafio passa a ser transformar a cooperação em iniciativas concretas, ampliar o acesso à infraestrutura e garantir que os recursos tecnológicos alcancem uma parcela maior da comunidade científica.
