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Notícias

Selic em 14,25%: Copom mantém cautela e mercado já aposta em novo corte em agosto

Noah Bramstone
Noah Bramstone julho 14, 2026
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A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, está fixada em 14,25% ao ano desde a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central realizada em 16 e 17 de junho, quando o colegiado decidiu, por unanimidade, reduzir os juros em 0,25 ponto percentual. A decisão deu continuidade a um ciclo gradual de flexibilização monetária que já havia levado a Selic de 15%, o maior patamar em quase duas décadas, para os níveis atuais. Mesmo com o corte, o comunicado divulgado pelo Copom manteve um tom cauteloso, reconhecendo que a inflação segue pressionada e que o cenário internacional permanece cercado de incertezas.

Contents
O que está em jogo até a próxima reuniãoImpacto direto no bolso do brasileiroMEI e a agenda econômica em discussão no Congresso

Essa cautela tem explicação direta nos números mais recentes. O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, e a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada pelo Banco Central como um fator de risco relevante para a trajetória de preços no país, sobretudo pelo impacto sobre combustíveis e alimentos. A meta de inflação perseguida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um teto de 4,5%. As projeções mais recentes do próprio Banco Central já apontam para uma alta de 4,6% no IPCA em 2026, o que deixa a inflação oficial próxima do limite superior da meta.

O que está em jogo até a próxima reunião

A próxima decisão sobre a Selic será conhecida em 5 de agosto, ao fim de uma reunião de dois dias do Copom. Segundo dados de mercado ligados aos contratos de Opção de Copom negociados na B3, cerca de 78% das apostas dos agentes financeiros já indicam um novo corte de 25 pontos-base, o que levaria a taxa a 14% ao ano. O cenário representa uma inversão significativa em relação ao que se via até pouco tempo atrás, quando a maioria das apostas apontava para a manutenção da taxa no patamar atual. Essa mudança de expectativa reflete, em parte, uma leitura de que a inflação, embora ainda alta, vem desacelerando de forma consistente.

Analistas consultados por veículos econômicos projetam que, se o ciclo de cortes graduais se mantiver ao longo do segundo semestre, a Selic pode encerrar 2026 próxima de 13,5% ao ano, desde que a inflação continue em trajetória de convergência para a meta. Essa é uma revisão em relação a estimativas anteriores, quando o mercado trabalhava com projeções ainda mais conservadoras para o fim do ciclo de afrouxamento monetário. De qualquer forma, o próprio Banco Central tem evitado dar qualquer garantia sobre o ritmo dos próximos passos, reforçando que as decisões futuras vão depender das informações que forem chegando sobre o conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços.

Impacto direto no bolso do brasileiro

Para quem financia um imóvel, contrata um empréstimo pessoal ou usa o rotativo do cartão de crédito, a Selic em patamar elevado ainda significa custo alto do crédito. A boa notícia é que aplicações financeiras pós-fixadas, como o Tesouro Selic, CDBs atrelados ao CDI e fundos de renda fixa referenciados no DI, seguem rendendo bem acima da inflação, o que mantém esse tipo de investimento como uma opção atrativa para quem busca segurança e liquidez nos próximos meses. Já para empresas, o custo de capital elevado continua pesando sobre decisões de investimento e expansão, um fator que ajuda a explicar por que o ritmo de queda da Selic é acompanhado de perto por setores produtivos.

Outro ponto que chama atenção no cenário econômico atual é a composição do próprio Copom. O colegiado segue funcionando com dois cargos de diretoria em aberto, o de Organização do Sistema Financeiro e o de Política Econômica, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não enviou ao Congresso Nacional as indicações para os substitutos. Essa vacância, embora não impeça o funcionamento do comitê, é acompanhada com atenção por analistas que avaliam o processo decisório da autoridade monetária brasileira.

MEI e a agenda econômica em discussão no Congresso

Além da política monetária, a agenda econômica do país passa por outra mudança relevante em tramitação no Congresso Nacional. Em junho, o governo federal enviou um projeto de lei complementar que altera as regras do Microempreendedor Individual, propondo elevar de forma gradual o teto de faturamento da categoria, hoje em R$ 81 mil ao ano, para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A proposta chega em um momento de recesso legislativo, o que deve adiar sua análise mais aprofundada para o segundo semestre, mas já é vista como um dos temas centrais da pauta econômica que o Congresso vai enfrentar após o retorno dos trabalhos.

Para quem acompanha o cenário macroeconômico brasileiro, o recado é de que os próximos meses devem ser marcados por um equilíbrio delicado entre a continuidade do ciclo de queda de juros e a necessidade de manter a inflação sob controle em um contexto internacional ainda instável. A reunião de agosto do Copom deve ser um dos principais termômetros para entender se essa trajetória de afrouxamento gradual vai se manter ou se o Banco Central optará por uma pausa adicional diante dos riscos externos que seguem no radar da autoridade monetária.

Fontes consultadas:
https://revistaempreende.com.br/taxa-selic-hoje-valor-atual-proxima-reuniao-do-copom-e-calendario-2026/
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/copom-adota-cautela-por-tensoes-globais-e-expectativa-da-inflacao
https://investidor10.com.br/noticias/taxa-selic-rendendo-14-ao-ano-ja-tem-data-prevista-em-2026-121379/
https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/120399/congresso-entra-em-recesso-nesta-semana-veja-o-que-fica-para-depois

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